'Big techs se tornaram o 3º poder mundial', diz jurista, segundo Repórter PB

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Big Techs
08/12/2025
'Big techs se tornaram o 3º poder mundial', diz jurista, segundo Repórter PB
Por meio de perícias especializadas, o jurista busca reverter essas decisões em ações contra gigantes como Siemens, Oracle, Totvs, SAP e Sankhya.

Quando fundou em 2017 a EvidJuri, empresa independente de perícia judicial, o jurista e auditor Sthefano Cruvinel pretendia atuar junto às companhias brasileiras na prevenção de prejuízos causados pela compra de softwares inadequados vendidos por gigantes tecnológicas. Segundo Cruvinel, que já trabalhou em algumas dessas big techs, na ânsia de crescer em escala, muitas delas empurram projetos impróprios para determinadas empresas, causando prejuízos para esses negócios.

Por uma questão cultural no Brasil de remediar mais do que prevenir, porém, Cruvinel diz que acabou, no meio do caminho, sendo requisitado muito para atuar em processos judiciais nos quais a sentença já tinha sido dada e foi desfavorável aos seus clientes. Por meio de perícias especializadas, o jurista busca reverter essas decisões em ações contra gigantes como Siemens, Oracle, Totvs, SAP e Sankhya.

Aumentou o número de processos contra as gigantes tecnológicas?

Sim, existe um aumento exponencial. Quando o risco-país sobe, o risco-jurídico também sobe.

Como assim?

Quando tem este cenário de insegurança que estamos vivenciando agora, porque o preço do insumo subiu e o custo tributário se elevou, o efeito rebote é um achatamento da margem de lucro. Então, para bater os indicadores de metas e ter o mesmo resultado financeiro, as big techs começam a ter que vender mais projetos e acabam expondo o cliente e se eondo a mais risco. A agressividade sobe e a qualidade cai. Com isso, aumentam também as ações judiciais.

O sr. quer dizer que, propositalmente, essas companhias vendem produtos ruins para seus clientes?

Os produtos podem ser muito bons, mas só para alguns segmentos. Para outros, são péssimos. Ou então, é um projeto que não dá certo naquele orçamento proposto. Eu já vi projetos de milhões de reais que, se pusesse o dobro ou triplo do orçamento, mesmo assim a empresa não ia entregar, porque o segmento não é aderente ao produto que venderam.

As contratantes, então, acabam tendo que desembolsar mais do que estava previsto?

As big techs contraem dívida com seus clientes a juros zero. Porque elas vendem um projeto, pegam o dinheiro e, se estourar o projeto, elas enfiam mais boletos. Qual o juro que elas pagaram desse empréstimo? Nenhum.

Elas sabem que o projeto custa R$ 1 milhão, mas vendem por R$ 300 mil. Diferentemente de uma obra, que dá para mudar de empreiteiro, um software exige uma relação com o fornecedor, porque a empresa contratou a licença. Por isso que as big techs estão virando o terceiro poder mundial. Porque elas dominam os dados e as informações. Só que 1 em cada 10 clientes processam e a maioria perde essas ações judiciais.

Por que a maioria perde?

Por falta de prova. Mesmo o cliente tendo razão, a chance dele perder é enorme, porque em todos os aspectos a big tech leva vantagem. O contrato é favorável, porque são as big techs que fazem. Elas têm experiência anterior em processos judiciais. Elas conhecem os termos técnicos, têm peritos naquele tema. E o cliente não tem nada disso. Além de tudo, elas jogam em cima do cliente com o fluxo de caixa, porque esses processos demoram. Então, elas vão asfixiando o cliente até que ele desiste.

De que forma a EvidJuri entra nesses processos?

Atuamos em casos bem sui generis. Teve uma sentença que arrebentou com o cliente. Milhões de prejuízo e de sucumbência que ele ia ter que pagar sei lá como, talvez fosse até falir. Na hora que nós conseguimos anular a sentença com um parecer de imprescindibilidade da prova técnica, porque o judiciário julgou sem perícia, meu cliente saiu de devedor de R$ 18 milhões para credor de R$ 12 milhões da Oracle. E aí, de uma forma bem interessante, eu sofro muita represália.

Que tipo de represália?

Processos. A Siemens me processou e eu processei eles de volta. Eles reclamaram dos R$ 50 milhões no título de uma matéria da Folha [valor do prejuízo que a perícia apurou em uma empresa pela contratação de um software da Siemens]. Eles dizem que eu vazei informações sigilosas de um processo que é público. Quiseram me oprimir.

Fonte: Repórter PB

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