Ele recusou um valuation de R$ 1 bi para receber mais em perícias judiciais

Evidjuri
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Processos Judiciais
21/10/2025
Ele recusou um valuation de R$ 1 bi para receber mais em perícias judiciais
O desafio é grande porque, no Brasil, o perito só costuma entrar em ação quando ordenado pelo juiz ou solicitado nos autos por uma das partes.

Sthefano Cruvinel criou a EvidJuri em 2016 com uma convicção clara: não bastava reunir um bom time de causídicos — era preciso investir também na produção de provas técnicas. Desde então, ele vem ampliando o alcance do escritório de perícia judicial, que projeta faturar mais de R$ 80 milhões neste ano.

O desafio é grande porque, no Brasil, o perito só costuma entrar em ação quando ordenado pelo juiz ou solicitado nos autos por uma das partes. “A maioria dos peritos no Brasil é autônoma, funciona como renda adicional”, diz Cruvinel, que considera a EvidJuri o único escritório de auditoria judicial em modelo comercial e escalável do país. São 30 profissionais, alguns com pós-doutorado, e um custo fixo mensal em torno de R$ 500 mil.

A estimativa do Conselho Nacional de Justiça é de mais de um milhão de processos no país com valor discutido acima de R$ 10 milhões. No portfólio da legaltech estão ações de empresas médias, pequenos fornecedores ou organizações da sociedade civil contra grandes companhias, com SAP, Totvs, Oracle, Siemens e Algar. A taxa de sucesso, segundo o fundador, está na casa de 90%, o que também se reflete na redução do tempo de duração dos processos.

A EvidJuri não substitui o escritório de advocacia dos autores da ação, mas atua em parceria com ele, definindo a estratégia e dando insumos fundamentais com base em análises técnicas e perícias que estimam riscos e retornos buscando alto nível de precisão. “Nós somos a munição, o advogado é o atirador. Nosso papel é dar base técnica e segurança jurídica para quem tem razão, mas não tem o mesmo poder econômico.”

O modelo de remuneração combina um custo inicial e uma taxa atrelada ao êxito das ações. Atualmente, a empresa – que ele define mais propriamente como uma audittech – tem um portfólio de honorários a receber em torno de R$ 1,2 bilhão, que seguem crescendo corrigidos pela Selic, taxa usada pelo Judiciário para atualizar os valores das causas.

Cruvinel estima que sua empresa valha pelo menos o dobro disso. Não à toa, recusou recentemente uma oferta de R$ 50 milhões por 5% do capital, o que aliava a companhia em R$ 1 bilhão. “Uma ação que eu fecho hoje já me dá mais de R$ 20 milhões”, compara.

O executivo tem preferido financiar a operação vendendo os créditos judiciais baseados nas expectativas de ganhos das ações, modelo conhecido como litigation funding, mais popular nos Estados Unidos. Da carteira total, menos de R$ 18 milhões, ou 1,5%, já foram transformados em créditos e vendidos a investidores.

Além das chances de sucesso de cada processo judicial, ele avalia a capacidade de pagamento da empresa. “Só entro quando sei que o réu é líquido e que o investidor vai entender isso também, pois é caro custear o processo. Somos sócios das demandas, afinal, quando eu vendo o crédito judicial, estou vendendo parte dos meus honorários”, diz. O deságio na cessão dos créditos varia conforme o risco da ação e o prazo esperado para receber o valor pleiteado. O cliente também pode vender o seu direito de receber se tiver pressa.

Fonte: Valor Econômico

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