EvidJuri orienta: como evitar falhas no laudo pericial e garantir credibilidade processual

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Perícia
18/02/2026
EvidJuri orienta: como evitar falhas no laudo pericial e garantir credibilidade processual
Todo laudo deve estar fundamentado em metodologias reconhecidas e atualizadas na respectiva área de atuação.

Um laudo pericial não é apenas um documento técnico, é meio de prova. No processo judicial, ele pode influenciar diretamente o convencimento do magistrado, conforme dispõe o Código de Processo Civil (arts. 464 a 480). Por isso, além do conteúdo técnico, a forma é determinante para sua validade e credibilidade.

Erros formais podem levar à desconsideração do laudo, à determinação de complementação, à realização de nova perícia ou até à responsabilização profissional do perito.

A seguir, veja os principais erros que comprometem a força probatória de um laudo pericial.

1. Detalhamento inadequado dos fatos

A clareza é um requisito essencial. O artigo 473 do Código de Processo Civil estabelece que o laudo deve conter:

  • Exposição do objeto da perícia;
  • Análise técnica ou científica realizada;
  • Indicação do método utilizado;
  • Resposta conclusiva a todos os quesitos.

Descrições vagas, conclusões genéricas ou ausência de contextualização fática comprometem a compreensão do julgador. Um laudo impreciso abre espaço para impugnações técnicas e pedidos de esclarecimento.

Boa prática: detalhar cronologia, documentos analisados, diligências realizadas e fundamentação das conclusões.

2. Falta de base técnica robusta

Todo laudo deve estar fundamentado em metodologias reconhecidas e atualizadas na respectiva área de atuação.

A ausência de fundamentação científica adequada pode:

  • Fragilizar a validade da conclusão;
  • Gerar quesitos suplementares;
  • Justificar a realização de nova perícia.

Além disso, o §1º do art. 473 do Código de Processo Civil exige que o perito apresente fundamentação técnica consistente, vedando conclusões baseadas apenas em opiniões subjetivas.

Boa prática: citar normas técnicas (ABNT, conselhos profissionais, protocolos reconhecidos), literatura especializada e metodologia aplicada.

3. Falta de informações claras sobre as partes

A correta identificação das partes, do processo, do juízo e do objeto da demanda é requisito formal indispensável.

Erros como:

  • Grafia incorreta do nome das partes;
  • Número de processo errado;
  • Ausência de qualificação mínima;
  • Falta de referência ao objeto da perícia.

Podem causar confusão processual e comprometer a credibilidade do trabalho.

O laudo precisa ser tecnicamente sólido e formalmente preciso.

4. Desrespeito aos prazos processuais

O prazo para entrega do laudo é fixado pelo juiz, conforme previsto no Código de Processo Civil (art. 465).

O descumprimento pode resultar em:

  • Substituição do perito;
  • Redução de honorários;
  • Aplicação de multa;
  • Prejuízo à parte que depende da prova.

Além disso, o atraso compromete o andamento processual e a credibilidade profissional.

Boa prática: controle rigoroso de cronograma e comunicação prévia ao juízo em caso de impossibilidade justificada.

5. Excesso de jargões técnicos

Embora o laudo seja documento técnico, ele precisa ser compreensível para todos os atores processuais, juiz, advogados e partes.

O uso excessivo de jargões sem explicação:

  • Dificulta o entendimento;
  • Compromete a clareza da conclusão;
  • Pode gerar interpretações equivocadas.

O laudo deve traduzir conhecimento técnico para linguagem acessível, sem perder precisão.

Boa prática: explicar termos técnicos na primeira utilização e adotar linguagem objetiva.

Consequências práticas dos erros formais

Um laudo com falhas formais pode:

  • Ser considerado insuficiente;
  • Ser objeto de impugnação;
  • Exigir esclarecimentos complementares;
  • Perder força como meio de prova;
  • Prejudicar a imagem técnica do perito.

A jurisprudência reforça que o laudo deve ser claro, coerente e fundamentado, pois auxilia diretamente na formação do convencimento do magistrado (art. 371 do Código de Processo Civil).

Erros formais não são meros detalhes burocráticos, eles podem comprometer a validade e a eficácia do laudo pericial.

Um laudo bem estruturado deve ser:

  • Claro;
  • Objetivo;
  • Metodologicamente fundamentado;
  • Formalmente correto;
  • Entregue dentro do prazo.

A combinação entre rigor técnico e atenção aos requisitos formais é o que assegura credibilidade, valor probatório e segurança jurídica ao trabalho pericial.

Autoria de EvidJuri por WMB Marketing Digital

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